sábado, 20 de fevereiro de 2016

Pode parar, por favor?! - Conheça Manuela, a garota do ônibus.

Matéria publicada na 3ª Edição da Revista OneBus
Em 26 de setembro de 2015, a estudante Manuela Tobaldini (16) surpreendeu a todos admiradores de ônibus do Brasil ao compartilhar em sua página pessoal do facebook, um ensaio fotográfico um tanto quanto inusitado, realizado dentro de um coletivo na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina.
Não demorou para que as cerca de 27 fotografias da jovem com sua irreverente blusa do Super Man se espalhassem pelos principais sites e fanpages voltadas para atividades do hobby, alcançando também diversos blogs e páginas de humor como AhNegão! e Floripa Mil Grau.
Passada a euforia provocada pelas fotografias inusitadas, surgiram os questionamentos sobre quem era a jovem e o porquê  das fotos em um ônibus.
Nós da Revista OneBus conversamos com Manuela e trazemos aos leitores a entrevista completa.

Quem é Manuela Tobaldini? E se eu te disser que nem eu sei? Eu ainda estou em fase de descobrimento sobre mim mesma, em praticamente todos os âmbitos da minha vida. O máximo que eu posso dizer é que eu tenho 16 anos, moro com a minha mãe, tenho um parceiro (em todos os sentidos) e estudo em uma ótima escola. Tenho uma vida melhor que a da maioria das pessoas, uma casa com água e luz (às vezes não tem) e tenho acesso a Internet. E isso quer dizer bastante coisa. Além disso, eu gosto muito de fazer as outras pessoas rirem, mas não comigo, de mim. Me considero a palhaça.
De onde surgiu a inusitada ideia de fazer uma sessão de fotos dentro de um coletivo? A ideia nunca surgiu. Foi uma coisa completamente impulsiva, só fiz. Tem certas coisas que não são possíveis de explicar racionalmente.
O fato de ter escolhido um ônibus para fazer as fotos tem uma razão especial ou foi algo que surgiu do nada? A razão especial era que eu não podia deixar de aproveitar essa oportunidade única de fazer coisas que grande parte das pessoas tem vontade mas não admitem (sim, eu sei que vocês tem vontade de fazer isso), então eu quis personificar essa vontade e divertir as outras pessoas, que é uma das poucas coisas que eu sei fazer bem.
Você imaginava que as fotos fossem repercutir tanto e de forma tão rápida? De maneira alguma. Para ser honesta, eu achei que ninguém fosse curtir as fotos, no máximo as pessoas mais próximas que curtem as minhas fotos zueiras. Geralmente o pessoal está mais interessado naquelas fotos glamourizadas, toda aquela produção e tal e quando vem alguém que quebra esse paradigma de uma forma completamente inusitada e inédita as pessoas não sabem como reagir, ou seja, uns amam e outros odeiam. Um sentimento polarizado. É tipo bife de fígado.
O que você achou dessa repercussão? Eu gostei bastante, alimenta nosso ego sabe. Porém como já dizia o Tio Ben, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Um ponto bastante positivo de toda essa repercussão foi que as minhas postagens e as minhas fotos – principalmente do Instagram – tiveram uma visibilidade muito grande e isso me ajuda muito, principalmente para começar projetos novos. Um ponto semi negativo é que eu tenho que sempre tomar muito cuidado com as coisas que eu posto e comento, pois querendo ou não, agora sou uma figura pública, então as pessoas me tomam como exemplo, tanto para o bem quanto para o mal.
Nosso hobby, popularmente conhecido como Busologia, costuma ser bastante estranho para muitos. Você já tinha ouvido falar? Na verdade, não, nunca tinha ouvido falar sobre isso antes do ensaio. Um dos meus amigos postou um link sobre uma reportagem que foi feita com alguns busólogos e eu conheci através daí. Depois de toda a repercussão das fotos, um monte de gente veio me perguntar inbox se eu era busóloga e eu ficava tipo “o que diabos é isso?”
A Prefeitura da cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, chegou a utilizar fotos para uma campanha publicitária sobre o uso dos ônibus na cidade, que tomou conta das redes sociais. O que você achou disso?  Eu achei muito legal, principalmente para conscientizar as pessoas sobre a convivência nesse micro espaço que é o ônibus e sobre o trabalho dos profissionais. Aqui em casa e no meu círculo de amigos comentamos que é engraçado que uma prefeitura tenha usado as fotos de uma libertária como exemplo, mas eu não me importei muito com isso, afinal eu jamais me negaria a espalhar o conhecimento e aprimorar a convivência entre as pessoas, duas coisas que eu considero extremamente importantes.
Passados alguns meses das fotografias, as pessoas ainda falam com você sobre as imagens? Sim, na verdade, toda vez que eu comento em alguma postagem no Facebook vem alguém e fala “nossa é a menina do busão” ou “nossa, menina dos memes, você por aqui” e até mesmo na minha escola algumas pessoas me reconheceram e vieram conversar comigo por causa das fotografias.. Recentemente meu professor de Física falou que no Conselho de Classe da minha turma esse assunto veio à tona entre os professores e eu fiquei muito surpresa.
Muitas pessoas passaram a seguir você nas redes sociais após o fato. Planeja seguir fazendo ações inusitadas? Com certeza, como eu mencionei antes, a questão da visibilidade ajuda muito no caso de começar qualquer projeto novo, que eu certamente pretendo desenvolver com a ajuda da minha mãe e do meu parceiro. Apenas estou sem tempo algum agora, a escola está exigindo muito de mim. Só peço para o pessoal ter paciência e enquanto isso curtir minha página para ver as minhas postagens e entender um pouco melhor a forma como eu penso, além de poder acompanhar o processo de desenvolvimento de novos projetos e dar uma forcinha. Gostaria de agradecer o convite da Revista OneBus para fazer essa entrevista, foi uma oportunidade muito legal e desejar sucesso nesse hobby que vocês tem que é pouco conhecido e claro, agradecer o carinho e o apoio dos meus “fãs” (ainda não sei se tenho licença para usar essa palavra) e seguidores porque sem eles eu não estaria onde estou. Parece muito clichê, mas é a mais pura verdade, sério mesmo. Obrigada a todos.